Acessibilidade e Sustentabilidade

25-11-2019

Hoje venho falar-vos de um projeto bem especial: já conhecem a Adaptar Portugal? A Sofia Costa é a sua mentora e a sua missão é sensibilizar para tentar tornar o país acessível a todos. Este projeto já tem mais de 3000 apoiantes e eu sou uma deles! 

Fotografia de Sofia Costa, por Rúben Coelho
Fotografia de Sofia Costa, por Rúben Coelho

Já pensaste no que são barreiras arquitetónicas? Vou dar 3 exemplos:

  • Escadas;
  • Rampas mal colocadas ou construídas com declive demasiado elevado;
  • Buracos no passeios;

Elas também podem ser temporárias:

  • Carros estacionados nos passeios;
  • Obras na via pública sem solução alternativa de passeio;

Para a maior parte das pessoas isto não representa um problema no seu dia-a-dia. No entanto, para muitas outras significa ficar numa situação de total dependência de outrem para continuar a circular (e, não raras vezes, torna-se mesmo impossível).

Pessoas com mobilidade reduzida e com algum tipo de incapacidade sensorial são as mais afetadas. Mas não só! Todos nós podemos sentir estas dificuldades alguma vez na vida. Por exemplo, idosos ou pessoas que utilizam carrinhos de bebé podem enfrentar os mesmo desafios. Desta forma, é facilmente compreensível que em qualquer momento da vida todos podem usufruir de acessibilidade nos espaços públicos!

Estas barreiras estão em todo o lado! No acesso a Serviços Públicos, estações de comboio, estabelecimentos, parques e jardins, praias e casas de banho públicas! O que acontece? Estes contextos revelam-se incapacitantes fazendo com que muitas pessoas se tornem dependentes de outros para fazer qualquer tipo de atividade diária.

Chegou mesmo a hora de  ... Adaptar Portugal!

Fotografia de Sofia Costa, por Rúben Coelho
Fotografia de Sofia Costa, por Rúben Coelho

Confrontei-me realmente com estas questões enquanto me estava a licenciar em Terapia Ocupacional! Posteriormente, trabalhei sempre com pessoas com algum tipo de incapacidade e senti cada barreira, por mais milimétrica que fosse. Uma ida à rua poderia ser uma verdadeira odisseia! Não é aceitável e é profundamente injusto.

Na minha opinião, ainda não há uma verdadeira articulação todos os profissionais envolvidos na construção ... e os seus utilizadores! Há profissionais de saúde a serem consultados e cidadãos que passam por estas dificuldades para serem ouvidos! 

Esta é uma questão é também uma questão de sustentabilidade! Como podemos querer uma comunidade livre, inclusiva, justa, auto-suficiente e empoderada quando questões tão básicas não são garantidas?

Já ouviram falar em "Design Universal"? A melhor definição que encontrei está aqui e pressupõe o seguinte: 

  • Conceção de objetos, equipamentos e estruturas destinados a ser utilizados pela generalidade das pessoas, sem recurso a projetos adaptados ou especializados;
  • Simplificar a vida de todos, qualquer que seja a idade, estatura ou capacidade, tornando os produtos, estruturas, a comunicação/informação e o meio edificado utilizáveis pelo maior número de pessoas possível ;

Este tema é estudado há décadas e chegou mesmo a hora de ser aplicado!

Fotografia de Sofia Costa, por Rúben Coelho
Fotografia de Sofia Costa, por Rúben Coelho

A melhor pessoa que conheço para falar sobre isto é mesmo a Sofia Costa! Uma mulher do Norte, linda e inspiradora, que move montanhas em prol da sua maior missão! Ela acredita que "Cada dia, é dia para mudar a realidade para melhor"! 

Queres saber um pouco mais da história da Sofia? Aqui vão alguns capítulos contados na primeira pessoa: 

  • "Sou a Sofia, sou de Penafiel e tenho 30 anos. Nasci prematura e tive paralisia cerebral que afectou a parte motora (pernas). O confronto com a ausência de acessibilidades levou-me a ser interventiva e muito sensível desde criança";
  • "No 10º ano queria ir para o curso de artes mas a escola não tinha elevador que dava acesso às aulas de artes, então no 9º ano fiz um abaixo assinado na escola onde andava (que foi proibido por isso fui para a porta da escola nos intervalos);
  • "Aos 18 anos entrei na Faculdade Belas Artes mas não havia acessos no exterior, e isto é curioso por vezes os espaços estão adaptados mas as ruas não e vice versa, assim sendo fui para a ESAD. A cidade tinha acessos, a faculdade não estava adaptada mas pelo menos era plana e tinha corrimãos para conseguir subir escadas. Com a minha estadia lá houve receptividade aos longo dos anos, para o que pedi!";
  • "Aos 18 tive um problema renal grave em que estive entre a vida e a morte e foi ai que conheci a cadeira de rodas (até então andava longas e curtas distâncias com muletas). Mas o importante é que sobrevivi , tirei o curso de Design de Comunicação.Estou actualmente a acabar o mestrado!";
  • "Era um hábito comum eu ir aos espaços e sugerir acessibilidades , não custa tentar e tornou-se uma forma de vida. Amo a minha cidade e estava a questionar-me porque só entrava em alguns espaços e que seria preciso intervir. Fiz então um levantamento dos sítios acessíveis e não acessíveis, fui falar com os comerciantes, civis para entender o que os impedia de se readaptarem"
  • "Fiz a proposta à Câmara Municipal de Penafiel, que criou o projecto comércio+ que pagará 90% das obras em cada espaço até determinado valor. Já passaram alguns anos mas esse projecto está entregue à CMP no qual colaboro sempre que queiram, e estou a aguardar e espero um dia ter uma cidade de referência no que toca às acessibilidades!"  
  • "A Adaptar Portugal surgiu em Abril de 2018 e limitei-me a ser eu mesma , a partilhar a minha forma de ser e estar na vida e esperar que isso contagiasse outras pessoas a sensibilizarem e a se permitirem sensibilizar e fazer parte da mudança".
  • "Das mais diversas formas , comecei a dar entrevistas , palestras e surge assim toda uma empatia por mim e pela causa que expandiu o adaptar portugal e é muito gratificante!"

"Tenho consciência que farei isto até à minha partida com a alegria que as sementes já foram lançadas e continuarão a ser. Cada coração que se toca é um passo para espaços e cidades para todos, para a felicidade de todos ...E estou extremamente grata pelo caminho percorrido e por todos os apoiantes! Somos todos sementes que nutrem uma realidade melhor!" 

E tu? Que sentes sobre este tema? 

Junta-te tu também a esta causa que é de todos nós! Vamos despertar consciências?

Por uma Vida ECOnsciente,
Filipa Gouveia